domingo, 31 de janeiro de 2010

vida no isopor.

Sentada na calçada, olhando a rua, imaginava a vida de quem por ela passava; imaginava a casa, o trabalho, a família; imaginava quem essa pessoa amava, por quem suspirava; se tinha a cabeça cheia de problemas ou leve demais, capaz de voar.
Ficava imaginando, buscando um abrigo na vida que não era dela; criava estórias de vidas exemplares, de pessoas diplomatas; criava, “porque sua vida real é trágica”.
Dessa maneira tentava fugir, recriava pessoas e numa miniatura punha tudo no lugar desejado; criava roteiros, falas, cenários; um refúgio pra quem não encontra seu próprio sorriso.
Assim, podia ser feliz ao menos nos seus planos. Ao menos, em sua casa cor-de-rosa, com telhas coloniais; garagem de porta automática (com controle e afins), jardim repleto de margaridas, carrinho de bebê às 07:00h da manhã apanhando sol com o pai da criança ao lado; Vivendo numa vida artificial, mas que era somente dela, dos sonhos dela, da maquete dela; afinal, ela que repunha o isopor sempre que desfazia-se um pedaço, que sentia-se feliz quando a mulher de avental vermelho, preparando a torta, a reprensentava.

2 comentários:

Kláuss Prado disse...

A verdadeira felicidade pode ser obtida em vários planos. Tanto no imaginário quanto o real, não importa aonde você é feliz. O que importa, é que vc seja. Parabéns ótimos textos!


Ps.: Estou te seguindo.

Andreza disse...

Eu possuo inúmeras maquetes, algumas inacabadas, mas o tempo sempre ajuda nas construções, como também nas destruições. Quanto aos planos, digo no sentido de planejamentos, melhor não tê-los, se possível, só pelo fato de querer viver um dia, e depois o outro.
Obrigada por me seguir aqui. :)
Eu vou te seguir, também, gostei dos teus textos, me identifiquei com alguns. O jeito que tu escreves me lembra alguém.